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O caso Nonstop Dan e as algumas lições para o seu negócio

  • Writer: Edu Neves
    Edu Neves
  • Jul 16, 2025
  • 3 min read

Updated: Nov 14, 2025


Recentemente, conheci um caso que gerou bastante repercussão no universo dos reviews de companhias aéreas: um incidente envolvendo o YouTuber Nonstop Dan (Daniel Goz) e a Kuwait Airways. Dan foi ameaçado de prisão e impedido de desembarcar de um voo após filmar sua experiência, mesmo alegando ter permissão. A situação escalou a ponto de envolver a polícia e, a resposta e posicionamento da empresa, ensina algumas lições que podem ser aplicadas em qualquer tipo de negócio.


Do review ao caos


Como sempre faz em seus vídeos, Dan começou a gravar sua experiência na primeira classe da Kuwait Airways, focando na aeronave, assentos e serviço, sem filmar outros passageiros ou áreas sensíveis. Perto de 90 minutos antes do pouso, o chefe de cabine o confrontou, alegando que a filmagem era proibida sem aprovação prévia da companhia aérea e insistindo que ele parasse de gravar e excluísse todas as imagens.


Depois do pouso, a coisa escalou ainda mais: o desembarque dele foi negado, o capitão da aeronave o alertou sobre violações culturais e legais, gerentes da companhia aérea foram chamados e a polícia foi envolvida, porque Dan havia gravado "equipamentos de segurança sensíveis". Após verificar a gravação, os oficiais determinaram que ele não havia cometido nenhuma ilegalidade. Ainda assim, a equipe de solo da Kuwait Airways o ameaçou com um processo se ele publicasse qualquer coisa sobre o voo.


A reação da Kuwait Airways


Essa história foi publicada em três vídeos pelo Dan, que alcançaram quase 3 milhões de visualizações em menos de duas semanas. Após a viralização dos vídeos, o presidente da Kuwait Airways enviou um e-mail pedindo desculpas "profundamente pelo ocorrido" e pelo "comportamento inaceitável" do chefe de cabine e da equipe do aeroporto. Ele também afirmou que a empresa não permitiria que tal incidente passasse sem tomar medidas contra qualquer funcionário que prejudicasse a reputação da empresa.


A Kuwait Airways reconheceu a necessidade de esclarecer suas políticas de filmagem e prometeu comunicar os resultados de sua investigação interna diretamente ao Dan, além de delinear medidas preventivas para o futuro. Ele recusou qualquer reembolso ou compensação, pedindo, em vez disso, clemência para o chefe de cabine envolvido, atribuindo o mau tratamento a possíveis lacunas no treinamento, e não a má-fé.


Apesar da abordagem inicial catastrófica da tripulação, vejo a resposta da Kuwait Airways após o incidente ser divulgado publicamente como exemplar. Claro que isso muito provavelmente aconteceu pela visibilidade que o caso teve, mas ainda assim, achei muito melhor que o caso da United Airlines de 2017, onde o Dr. David Dao foi arrancado do seu assento por oficiais e o CEO da empresa chamou o caso, inicialmente, de "reacomodação de passageiros".


O que podemos aprender com isso?


Este episódio, apesar de envolver uma grande companhia aérea com recursos vastos, oferece insights surpreendentemente aplicáveis para pequenas e médias empresas, já que a essência de uma recuperação eficaz de credibilidade para o negócio reside em princípios universais de honestidade, agilidade e centralidade no cliente. 


  • Assuma a responsabilidade rapidamente: Não tente esconder, culpar o cliente ou minimizar o problema. Uma admissão rápida e sincera do erro demonstra profissionalismo e respeito. A agilidade da Kuwait Airways em se desculpar publicamente foi fundamental.

  • Peça desculpas genuinamente: "Sinto muito" não é o bastante. O pedido de desculpas deve expressar arrependimento pelo impacto que o erro causou na experiência do cliente.

  • Priorize a resolução e o follow-up: Mostre ao cliente que você está comprometido em resolver o problema. Acompanhe a situação até ter certeza de que a solução foi eficaz e que ele está satisfeito. No caso da Kuwait, a promessa de revisar políticas e investigar internamente demonstra um compromisso com a melhoria.

  • Treine sua equipe para gerenciar crises: Muitos erros graves se originam na linha de frente, onde a equipe interage diretamente com o cliente. Garanta que todos estejam preparados para lidar com situações difíceis, com empatia e as ferramentas certas. O pedido de Dan por mais treinamento para a tripulação ressalta essa necessidade.

  • Transforme o feedback negativo em oportunidade: Cada reclamação é uma chance de identificar falhas nos seus processos e aprimorar seus serviços. A Kuwait Airways prometeu revisar suas políticas, mostrando que estava aprendendo com o ocorrido.

  • Seja transparente (quando apropriado): A abertura da companhia aérea em reconhecer o erro e prometer investigação ajudou a mitigar a crise. Para PMEs, isso pode significar comunicar ações corretivas ou melhorias baseadas no feedback do cliente.


Em um mundo onde a informação se espalha rapidamente e a voz do cliente tem um alcance sem precedentes, a capacidade de uma empresa de lidar com seus erros define sua reputação e sua relação com o mercado. O caso Nonstop Dan é um lembrete poderoso de que mesmo os maiores nomes podem tropeçar, mas a maneira como se recuperam pode transformá-los em exemplos a serem seguidos

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